À MINHA ESPOSA

Eu poderia dizer que te amo por você ser linda…
Mas, eu seria óbvio.
Eu poderia dizer que não vivo sem você…
Mas, isso também seria óbvio e um pouco trágico.
Então eu poderia dizer que você foi (é) a minha melhor parte inteira.
Isso seria poético, mas, tb seria óbvio.
Eu poderia dizer que adoro o som da sua respiração quando você dorme sobre meu peito.
Mas, poxa, isso seria tão óbvio, meu Deus do Céu!
Tá, tá, tá, poderia eu dizer, com toda certeza do mundo que você me faz o homem mais completo, mais feliz e mais chorão que existe.
Ah, mas isso você vê em meus olhos e claro, seria eu, mais uma vez, óbvio demais.
Sabe, amor, vou confessar uma coisa bem baixinho,
no seu ouvido agora:
Eu adoro ser óbvio!

IMPACIÊNCIA

Quero
Espero
Áspero
Austero
Aflito
Impaciente e indolente
Doente e indecente
Ávido e azedo
Havido medo…
Sem indulgência
Clamo
Grito
Insano rito
Mito
Minto a dor
Manto negro
Solidão algoz
Sem voz
Sem som
Cem dores
Exijo
Desejo
Ensejo
Almejo
Imploro
Você.

DORES

Depois de tantas bocas e perfumes
Abraços, lágrimas e sorrisos
De tantas histórias cruzadas em mim
Amores e odores…
Dores…
Depois de invadir vidas e ser invadido
Permeado e esvasiado
Depois de perlustrar tantas peles
Ancorar em tantos portos
Depois de perpetrar corações e sangrar sonhos
De projetar, construir e derrubar
De cativar almas e escrever canções
Afinar paixões
Harmonizar amores
Dores…
De iludir
De se enganar
De correr atraz do vento
Depois de gritar feliz e chorar calado
Gritar calado e chorar feliz
De tirar os pés do chão
De flutuar
Me permitir
Me doar
Depois de induzir e embalar corações inocentes minha mente mente descaradamente na tentativa de aliviar o fardo da culpa que carrego por definhar a essencia de tantos amores
Dores…
Depois de insistir na tentativa de entender tantos “ais”, seria eu o carrasco do meu próprio coração ou efêmeras foram as fêmeas que tive?

ATÉ VOCÊ VOLTAR

Todos os dias eu tento te esquecer, mas, o sol te traz
Você renasce a cada amanhecer isso me desfaz
A tarde chega e com ela a tempestade
E o céu deságua uma chuva de saudade
Todas as noites eu penso te aquecer, mas, você já foi
A madrugada me envolve num silêncio, é você já foi…
E mais um dia amanhece sem apreço
Amar é um milagre, mas, cobra seu preço
Choro sua falta
Nada me consola
Vou sangrar a alma até você voltar
Vou contar os dias
Cada segundo
Vou ficar aqui até você voltar
Meu amor…

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QUEM SOU EU?

Uma mistura da incógnita abstrata com a clarividência das elucidações mais simples.
Talvêz uma complexidade patética ou quem sabe apenas um ser em busca de si, mergulhado em confusões onde nada é tão completo , tudo é nada e nada é reticente…
Sou aquele, aquilo, aqui ouvindo o som do próprio pensamento ecoando no vago das entrelinhas do tempo, buscando se encontrar, se perdendo, se prendendo, dependente de algo que possa, enfim, elucidar tal questão.
Quem sou eu?
Isso, realmente importa?
Importa que eu seja, tão somente essa profunda, rasa e obscura criatura incansável no doce amargo afã em se recriar, se reinventar a cada dia desafiando a misteriosa questão:
Quem sou eu?

REFLEXO VAGO

Hoje eu acordei com tua imagem cravada na alma
Reluzente e ofuscante imagem
Teimosa face
Refletistes tua ausência no espelho dos meus olhos
Estampastes o vazio na escuridão do vago
Na imensidão do nada onde habita o coração
Meu cansado coração.
Hoje eu acordei com tua imagem refletida na minha dor
Dançavas de mãos dadas com a minha solidão
Eram íntima amigas
Eram quase uma só
Hoje eu acordei com tua imagem cravada em meu silêncio.

A CANÇÃO QUE TRAZ VOCÊ PRA MIM

Traz teu sorriso e alegra o meu dia
Faz o meu coração sossegar
Paz que chega só quando você está por perto
Mas, o silêncio grita em meus ouvidos
A solidão chegou sem avisar
Jazz, a canção que traz você pra mim
Faz a saudade me seguir sem dó
Será que a gente ainda vai poder se olhar e não chorar?
O amor é mesmo um mistério
Há sempre uma interrogação
Quando te encontrei me perdi
Quando te perdi me achei
Achei um jeito de viver sem você.